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DISCIPLINAS POR LINHA

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Calendário Acadêmico 2017/1


DISCIPLINAS POR LINHA DE PESQUISA
PIE00021 - Seminário Avançado: Narrativa e Experiência: o problema da transmissão

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Súmula:

Este seminário faz parte dos estudos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa Corpo, Arte e Clínica nos modos de trabalhar e subjetivar que atua junto ao Acervo da Oficina de Criatividade do HPSP. Compondo o sexto da série Arquivo e Testemunho, foi planejado tendo em vista problematizações de caráter metodológico referentes às relações entre modos de dizer, narrar e transmitir experiências-limite. Toma, portanto, a linguagem como problema que se estende entre aquele que fala e aquele que escuta, entre língua e linguagens. O narrador, nesse sentido, é concebido como cartógrafo da experiência produzida pelo plano de sua pesquisa, podendo expressar-se para além do cânone científico e acadêmico. Considera-se que o pesquisador morre em vida quando não é mais capaz de se comunicar em meio aos riscos da Transmissão e de suas possíveis revelações. Trata-se de analisar questões pertinentes aos testemunhos, orais, escritos ou imagéticos deixados como rastros de sujeitos sobre os quais se abateu a infâmia dos tempos. Aqui, pretende-se considerar a testemunha-sobrevivente como um narrador e, ao mesmo tempo, considerar o próprio pesquisador como narrador-testemunha indireta dos acontecimentos infames de seu tempo. Tal interesse se vincula ao esforço de vir a escavar, no campo acadêmico um lugar para as narrativas de experiências que fissuram a história oficial e a fazem desviar-se do cânone historicista. Trata-se, ainda, de engendrar um outro espaço para as expressões do pesquisador, dessa vez, munido sem a pretensão de esgotamento dos sentido e no estado de deriva poética aos sentidos que pedem passagem. Acredita-se encontrarem-se, aí, aspectos políticos da produção de conhecimento bem como a expressão de posições éticas. Os procedimentos narrativos oficialmente utilizados na academia têm sido tradicionalmente marcados por uma linguagem denominada, grosso modo, de “científica”, caracterizada, sobretudo, pela prevalência da objetividade e da neutralidade. Ou seja, o sujeito que produz conhecimento, através de pesquisa, deve recuar de implicações desejantes e apagar sua posição subjetiva naquilo que enuncia, produzindo, dessa forma, uma “verdade” tanto mais demonstrável e replicável quanto mais for desprovida de influências singulares. Tal política de narrativa prende-se ao paradigma de ciência que pretende estabelecer universalidades e mesmo generalizações molares em relação ao objeto de estudo. Da mesma forma, firma-se no que Deleuze denomina de língua maior, que atribui especial ênfase à crença nas palavras como representação da realidade. Nesse modelo, ou nesse procedimento, estaríamos no polo da linguagem como representação, sem que a mesma pudesse vir a ser tratada como problema em si mesmo. Da mesma forma, no procedimento gerado por essa posição objetivista, prevalecem os elementos de um racionalismo que viria assegurar a assepsia do que pode vir a ser conhecido. Nossa posição, entretanto, não se coaduna com essa e, ao contrário, busca outra direção, dessa vez inspirada não mais no Eu falo e sim no Quantos falam em mim, questão tão brilhantemente colocada por Blanchot em seu livro O Espaço Literário. Da mesma forma, encontramos em Walter Benjamin, em Michel Foucault e em tantos outros, grandes questões desassossegadoras ao ethos da narratividade da pesquisa. As discussões foucaultianas, por exemplo, relativas às dissimetrias entre o Ver e o Dizer, entre as Palavras e as Coisas, propõem-se como profundos problemas vinculados ao Saber e ao Poder. Alocam discussões a respeito no plano do paradigma ético-estético sustentador dos procedimentos da Filosofia da Diferença. As experimentações que nos têm sido possibilitadas no percurso de tais problematizações levam-nos, por outro lado, a rejeitar o pólo subjetivista, que talvez pudesse aparecer como uma alternativa ativa nessa proposição de narrativas expressivas. Não se trata disso, pois somos levados a buscar mais do que significações e manifestações atribuíveis a uma pessoa, a um sujeito, a um indivíduo. Nem objetivismo, nem subjetivismo, quem sabe uma busca em direção ao Sentido incabado e Interminável daquilo que Deleuze denomina, a partir de Spinoza, de Expressão e que podemos também chamar de cognição sensível, efetuada como acontecimento de um aprender que implica forças intensas e selvagens, alocando-se no plano dos afetos e aproximando-se de processos de criação. É dessa forma, com essas intenções e inquietações que viemos propor nosso programa de estudo para 2014.2 Ressalte-se, ainda, que o presente curso a ser oferecido, constitui-se como continuidade do problema da linguagem que nos ocupa, em séries insistentes. A busca da revelação, pela linguagem, não se situa, é importante frisar, nos atos de fala e de expressão de qualquer um. A Revelação do infinito se torna infinita e incessante, sendo a linguagem aquilo que lhe dá passagem , estabilizações e novos devires.

OBJETIVOS:
O objetivo deste seminário consiste em colocar em análise o problema da TRANSMISSÃO do CARTÓGRAFO. Isso nos leva a considerar que o REGISTRO DA PESQUISA E SEU MODO DE DIZÊ-LA E NARRÁ-LA ocupam espaço relevante na produção de conhecimentos e que essa, por sua vez, incide sobre o plano da história de nosso presente, forçando a barra da narrativa do pesquisador-cartógrafo não para que se coloque acima, abaixo ou superior e inferior às condições de dizibilidade e visibilidade que lhes são oferecidas. Desejamos que a linguagem do cartógrafo se coloque como Profanação dos sentidos instituídos, que o próprio cartógrafo incida sobre a história dos saberes no sentido de abri-la para incertezas e indeterminações que ali se encontram depositadas como virtuais da reinvenção do mundo e do homem. Aqui-e-agora, o pesquisador é visto e considerado como agenciador de sentidos, não restando apenas como mero adjunto da produção de conhecimento, mas sim, como o cerne mesmo de seu ethos.

METODOLOGIA:
O seminário prevê 14 encontros, de freqüência semanal, no período de agosto a novembro/2014. Desenvolver-se-á através de aulas específicas tratando do tema estipulado para cada um dos dias de encontro e contará com participação dos Professores Doutores Claudia Luiza Caimi( UFGRS) e Mário Ferreira Resende (IFV), além da participação de dois estagiários de docência, Dda. Luciana Knijnik (PPGPSI/UFRGS) e Ddo. Carlos Antonio Cardoso (PPGIE/UFRGS).

AVALIAÇÃO:
O procedimento será participativo, devendo haver previsão antecipada dos tópicos a serem abordados com preparação em exposição oral, por power point e debates. A avaliação relevará a freqüência ao seminário e a entrega de um trabalho de conclusão relacionando os conteúdos programáticos com as questões de pesquisa dos discentes.

Bibliografia sugerida:

Referências:

AMORIN, Marilia. Bakhtin nas Ciências Humanas. São Paulo: Musa Editorial, 2004.

BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas I. São Paulo: Brasiliense, 1987.

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas II. São Paulo, Brasiliense, 1995.

BENJAMIN, Walter. Reflexões: a criança, o brinquedo a educação. São Paulo: Summus, 1984.

BENJAMIN, Walter. Sobre a faculdade mimética. Trad. Suzana Kampff-Lages (mimeo)

BENJAMIN, Walter. Textos escolhidos. São Paulo, abril cultural, 1980. (col. Os pensadores)

BENJAMIN, Walter. Teses sobre o conceito de história. Trad. Jeanne Marie Gagnebin e Marcos L. Muller (mimeo)

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs, vol. 5. São Paulo: Ed 34, 1997.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O Que é a Filosofia? São Paulo: Ed 34, 1992.

HOMERO. Odisséia. Trad. Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro, Ediouro. 2002.

LATOUR, Bruno. Ciência em Ação. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

LATOUR, Bruno. Reagregando o social. Salvador: Edufba, 2012; Bauru: Edusc, 2012.

LATOUR, Bruno. Reflexão sobre o culto moderno dos deus fe(i)tichistas. Bauru: UNESP, 2002.

KAFKA, Franz. Narrativas do espólio (1914-1924). Trad. Modesto Carone. São Paulo: Cia das Letras. 2002.

KAFKA, Franz. Um médico rural: pequenas narrativas. Trad. Modesto Carone. São Paulo. Cia das Letras, 1999.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Prosa do mundo. São Paulo: Cosac & Naify, 2002.

Livros Sugeridos:

ALLIEZ, Éric. Deleuze, uma vida filosófica. São Paulo: Ed. 34, ano_

AUSTIN, J.L. Quando Dizer é Fazer. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

BLANCHOT, Maurice. A conversa infinita. A ausência do livro. São Paulo: Escuta, 2010.

CARDOSO FILHO, Carlos. Ficção, Experiência. In: Ceticismo e Ingenuidade: a problematização da subjetividade no pensamento de Foucault, Deleuze e Guattari. Dissertação (Mestrado), UFSC, Florianópolis, 2011, p. 72-88.

DERRIDA, Jacques. Torres de Babel. Tradução de Júnia Barreto. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.

DURAS, Marguerite. Escrever. Rio: Rocco, 1994.

FOUCAULT, Michel. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Ditos e Escritos III, Rio: Forense Universitária, 2006.

GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar, Escrever, Escrever. São Paulo:Ed. 34, 2006.

GAGNEBIN, Jeanne Marie. História e Narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva, 2011.
GIL, José. A imagem-nua e as pequenas percepções. Estética e metafenomenologia. Lisboa: Relógio d’Água, 2005. (2ª edição).

GIL, José. O imperceptível devir da imanência. Lisboa: relógio d’Água, 2008.

GUATTARI, Felix. A Caosmose Esquizo ; O novo paradigma estético. In: Caosmose. Um novo paradigma estético. Rio:Ed.34, pgs. 97-110 e 125 a 150.

LEVY. Tatiana Salem. A experiência do Fora. Rio: Relume-Dumará, 2003.

LIMA, Marcos Eduardo Rocha. Três Esquizos Literários. Porto Alegre: Ed. UFRGS e Ed. Sulina, 2010.

MACHADO, Roberto. Foucault, a filosofia e a literatura. Rio: Zahar, 2000.

MACHADO, Roberto. Deleuze, a arte e a filosofia. Rio: Zahar, 2009.

MALUFE, Annita Costa. Poéticas da Imanência. Ana Cristina Cesar e Marcos Siscar. Rio: 7 Letras, 2011.

ORLANDI, Eni Puccinelli. As formas do silêncio. São Paulo: Editora UNICAMP, 1993.

PASSOS, Eduardo e outros (orgs.). Por uma política da narratividade; Sobre a.formação do Cartógrafo e o problema das políticas cognitivas. In: Pistas do Método da Cartografia. Pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, p.150-171 e 201-205.

PINHEIRO, Diego Arthur Lima. Contribuições do pensamento Blanchotiano aos estudos da subjetividade – Como criar regiões de silêncio e solidão. Dissertação apresentada ao PPGPsicologia/UFF, 2012.

RICOEUR, Paul. Tempo e Narrativa. Tomo I. Campinas/SP: Papirus, 1994.

ROCHA, Ana Luiza Carvalho da; ECKHERT, Cornélia. O Antropólogo na figura do Narrador. In: O tempo e a Cidade. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2005, p.33-56.

RODRIGUES, Cristina Carneiro. Tradução e Diferença. São Paulo: Ed. Unesp, 2000.

SELIGMAN- SILVA, Márcio (org.). História, memória, Literatura. Campinas/SP: Ed. Unicamp, 2003.

SELIGMAN- SILVA, Márcio. Palavra e Imagem; memória e escritura. Chapecó: Argos, 2006.

SELIGMAN- SILVA, Márcio. Leituras de Walter Benjamin. São Paulo: Fapesp:Annablume, 1999.

ZOURABICHIVILI, François. Deleuze e a questão da literalidade. In: Ver. Educação e Sociedade. Campinas, vol.26, n.93, p. 1309-1321. Set/dez. 2005

Artigos Sugeridos:

FUX, Jacques; SANTOS, Darlan. Linguagem, Metatestemunho e SHOAH em Georges Perec. Disponível em: http://www.anpoll.org.br/revista/index.php/revista/article/viewFile/636/647

CALDAS, Ana Paula Britto Heloisa. Testemunho e Transmissão em psicanálise: A ficção é o destino?. Disponível em: http://www.psicanalise.ufc.br/hot-site/pdf/Trabalhos/03.pdf

MEDEIROS, Sérgio. Conversa com Christophe Bident, biógrafo de Maurice Blanchot. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/Outra/article/view/13866/12732

MEICHES, Mauro Pergaminik. Bom retiro 958 metros- Geografia e memória e memória poética. Postado by Laboratorio de sensibilidades / 04/09/2013.

ORLANDI, Luis Benedito. Breve passagem pela paradoxal repetição deleuziana. Palestra postada by Laboratório de sensibilidades / 03/09/2013.

PELBART, Peter Pál. Literatura e loucura: da exterioridade à imanência.
In: Margareth Rago; Luiz Orlandi; Alfredo Veiga-Neto. (Org.). Imagens de Foucault e Deleuze. Rio de Janeiro: D&PA, 2002, v. p. 287-298.

REVISTA PSICOLOGIA&SOCIEDADE- Volume 21- Edição Especial 2009
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0102-718220090004&lng=pt&nrm=iso

SCARPELLI, Marli Fantini. Na era do testemunho. Disponível em:
http://www.revistas.usp.br/viaatlantica/article/view/50256/54370


Professor responsável: Tania Mara Galli Fonseca

Linha de pesquisa: Interfaces Digitais em Educação, Arte, Linguagem e Cognição

Natureza: Seminário Avançado

Carga horária: 60

Créditos: 4




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